Indicadores & Estudo

Ichimoku Clouds - Backtesting


Depois de expor as principais idéias e estratégias do Ichimoku, parece oportuno entrar nos detalhes operacionais. Afinal este método funciona na prática?


Vou iniciar a discussão do detalhamento operacional apresentando algumas estatísticas. Pensei em uma estratégia básica (contemplando todas as 5 linhas do Ichimoku) para aplicar o teste denominado “backtesting”. O “backtesting” é o processo de simular operações no passado (para isto se utiliza uma série histórica de preços de vários anos) a partir de regras bem definidas de compra, saída da compra, venda e saída da venda. O universo de ativos é a carteira teórica do Ibovespa, ou seja, cerca de 60 papéis (foi incluído apenas uma ação de cada empresa).




A regra de compra é o preço (fechamento) estar acima da nuvem, a linha Chikou (linha com retardo) acima do preço, a linha Tenkan (média de 9) acima da linha Kijun (média de 26).


A regra de saída da compra é a ocorrência de qualquer uma das seguintes condições: O preço (fechamento) cruza abaixo de qualquer curva que forma a nuvem, o preço cruza abaixo da linha Kijun (média de 26), a linha Tenkan (média de 9) cruza abaixo da linha Kijun (média de 26).


A regra de venda é o preço (fechamento) estar abaixo da nuvem, a linha Chikou (linha com retardo) abaixo do preço, a linha Tenkan (média de 9) abaixo da linha Kijun (média de 26).


A regra de saída da venda é a ocorrência de qualquer uma das seguintes condições: o preço (fechamento) cruza acima de qualquer curva que forma a nuvem, o preço cruza acima da linha Kijun (média de 26), a linha Tenkan (média 9) cruza acima da linha Kijun (média de 26).


Você concorda com estas regras? Estão de acordo com os fundamentos do Ichimoku? É claro que existem muitas outras possibilidades, mas acredito que estas regras representam as principais idéias do Ichimoku. Lembre-se que o Ichimoku é naturalmente um método seguidor de tendência.


O primeiro teste foi aplicado em 56 ações do Ibovespa, no período dos últimos doze meses (de 23 de julho de 2011 até o fechamento de ontem). Neste período o Ibovespa alternou um período de movimento lateral, seguido de uma tendência de alta, uma tendência de baixa e novamente um movimento lateral. Embora seja um período relativamente curto, há um equilíbrio entre os movimentos de tendência (alta e baixa) e sem tendência; a amostragem não é tendenciosa (posteriormente aplicarei o teste para períodos mais longos).




Do total de 56 ações, 27 são lucrativas e 29 apresentam prejuízo. O melhor resultado é OGXP3 (+114,0%) e o pior é VALE5 (-39,0%). Destaques de alta: JBSS3(+88,0%), EMBR3(+60,0%), ELPL4(+49,7%), SBSP3(+47,0%), CMIG4(+46,0%), MMXM3(+44,0%) e UGPA3(+40,0%). Destaques de baixa: LIGT3(-37,0%), LAME4(-35,0%), OIBR4(-33,0%), BRML3(-33,0%) e FIBR3(-30,0%).


Entres as ações com lucro, a média de operações (nos doze meses) foi de 6, ou seja uma operação a cada 2 meses. Já a média das perdedoras é muito maior: 18 operações, ou seja 3 operações a cada 2 meses. As ações perdedoras negociam com uma frequencia 3 vezes maior do que as ações ganhadoras. A explicação para o aumento do número de negócios é o mercado sem tendência. Nesta situação as regras são disparadas com frequencia e com a alternância dos sinais de compra e venda. O resultado não podia ser diferente: muitas operações com prejuízo. O que fazer para evitar estas operações?


VALE5(-39,0%) foi o papel com a maior perda acumulada nos últimos 12 meses. No total de 22 operações, 18 operações foram de prejuízo (perda média de -3,43%). Em um período de aproximadamente 4 meses (entre 15 de setembro de 2011 e 6 de janeiro de 2012), foram 10 operações consecutivas de perda! Nenhum investidor suportaria esta sequencia de prejuizos. A análise detalhada desta situação extrema pode nos ajudar a encontrar alternativas para melhorar o sistema (embora considere que os atuais resultados de um modo geral não são ruins). Mas este é um assunto para o próximo post.


Entre as 56 ações testadas, VALE5(-39,0%) foi o papel com a maior perda acumulada nos últimos 12 meses. No total de 22 operações, 18 operações foram de prejuízo (perda média de -3,43%). Em um período de aproximadamente 4 meses (entre 15 de setembro de 2011 e 6 de janeiro de 2012), foram 10 operações consecutivas de perda!


Uma análise detalhada destas operações sugere a inclusão das figuras "candlestick" em conjunto com as regras do Ichimoku. O gráfico abaixo identifica as 10 operações (seta verde = compra, seta vermelha = venda, seta cinza = saída da compra ou da venda). Observe que se fossem consideradas as figuras candlestick, algumas entradas seriam evitadas ou retardadas, algumas saídas seriam antecipadas.





Comentários


Trade 1 – Saída da compra após a sinalização de reversão: estrela cadente e envolvente de baixa.


Trade 2 – Candle de entrada, um marubozu de baixa, sinaliza venda e não compra.


Trade 3 – Candle de entrada,  um martelo, sinaliza compra e não venda.


Trade 4 – Saída da venda após a sinalização de reversão: estrela da manhã.


Trade 5 – Candle de entrada,  um doji, sinaliza venda e não compra.


Trade 6 – Saída da compra após a sinalização de reversão: nuvem negra.


Trade 7 – Candle de entrada,  segundo consecutivo de baixa, sinaliza venda e não compra.


Trade 8 – Candle de entrada,  quarto consecutivo de baixa, sinaliza venda e não compra.


Trade 9 – Saída da venda após a sinalização de reversão: marubozu de alta.


Trade 10 – Entrada e Saída compatíveis as as figuras candlestick.


Do total inicial de 10 operações, 5 operações não seriam realizadas e 4 operações teriam saídas antecipadas (com lucro). Apenas a última operação seria preservada sem nenhuma alteração (pequeno prejuízo). Evidentemente esta é uma análise retrospectiva (“teria sido melhor entrar aqui e sair ali… teria sido…”), e portanto não é a realidade. É apenas uma suposição, uma teoria, uma hipótese. Dá para testar?


A identificação mecânica das figuras candlestick não é um processo caracterizado pela exatidão. Frequentemente as figuras ocorrem apenas na forma aproximada da ideal. Entretanto, apesar destas limitações, vale a pena fazer um “backtesting” para validar (ou não) a inclusão das figuras candlesticks nas estratégias do Ichimoku.


(Este artigo foi publicado em partes, no Blog Nelogica. Para informações diárias sobre análise de mercado acesse www.nelogica.com.br/blog).



Ótimas análises e negócios!

Equipe Nelogica



Nelogica Bottom Finder Ichimoku Clouds

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